{"id":1663,"date":"2022-10-11T11:00:09","date_gmt":"2022-10-11T14:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/nutricorp.com.br\/?p=1663"},"modified":"2022-10-11T11:00:09","modified_gmt":"2022-10-11T14:00:09","slug":"suplementacao-de-sais-calcicos-de-acidos-graxos-para-bovinos-leiteiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nutricorp.com.br\/es\/suplementacao-de-sais-calcicos-de-acidos-graxos-para-bovinos-leiteiros\/","title":{"rendered":"SUPLEMENTA\u00c7\u00c3O DE SAIS C\u00c1LCICOS DE \u00c1CIDOS GRAXOS PARA BOVINOS LEITEIROS"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1658\" src=\"https:\/\/nutricorp.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/FOTO-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/nutricorp.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/FOTO-2.jpeg 1280w, https:\/\/nutricorp.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/FOTO-2-300x300.jpeg 300w, https:\/\/nutricorp.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/FOTO-2-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/nutricorp.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/FOTO-2-150x150.jpeg 150w, https:\/\/nutricorp.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/FOTO-2-768x768.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p><strong>Nathaly Ana Carpinelli<br \/>\n<\/strong>Zootecnista, UFPel<br \/>\nMs. Produ\u00e7\u00e3o Animal, SDSU<br \/>\nCoordenadora Comercial, Nutricorp<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de suplementos energ\u00e9ticos a base de lip\u00eddios pode ser uma estrat\u00e9gia para aumentar o adensamento energ\u00e9tico na dieta de vacas leiteiras. Al\u00e9m disso, podem servir como uma fonte de \u00e1cidos graxos essenciais (<strong>AGE<\/strong>), aumentando a absor\u00e7\u00e3o de vitaminas lipossol\u00faveis (A, D, E e K) e a palatabilidade da dieta, assim como promovendo um menor incremento cal\u00f3rico ruminal e melhorando a homogeneiza\u00e7\u00e3o dos ingredientes durante a mistura da dieta\/alimentos (Palmquist, 1988; Zinn &amp; Jorquera, 2007).<\/p>\n<p>Esse tipo de suplemento pode ser adicionado na dieta de v\u00e1rias categorias animais, desde que acompanhada pelo nutricionista da fazenda. Os lip\u00eddios podem servir como uma alternativa para per\u00edodos de baixo consumo de mat\u00e9ria seca (<strong>CMS<\/strong>), como por exemplo o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o. Nessa fase, sabe-se que as vacas diminuem o CMS principalmente antes do parto e, por isso, a suplementa\u00e7\u00e3o poderia ser feita durante o per\u00edodo seco visando que, mesmo sob um baixo CMS, o consumo de energia seja maximizado. Al\u00e9m disso, devido aos efeitos positivos na reprodu\u00e7\u00e3o, a suplementa\u00e7\u00e3o pode ser uma boa op\u00e7\u00e3o para novilhas ou vacas lactantes antes do in\u00edcio do protocolo reprodutivo. Por fim, a utiliza\u00e7\u00e3o desse suplemento em vacas no per\u00edodo de lacta\u00e7\u00e3o, pode trazer benef\u00edcios nos aspectos produtivos dos animais, al\u00e9m da substitui\u00e7\u00e3o por ingredientes energ\u00e9ticos que estejam promovendo um custo elevado na dieta.<\/p>\n<p>Os sais c\u00e1lcicos de \u00e1cidos graxos (<strong>SCAG<\/strong>) s\u00e3o mol\u00e9culas de lip\u00eddios encapsulados com sab\u00f5es de c\u00e1lcio, com a finalidade de diminuir a biohidrogena\u00e7\u00e3o ruminal e o consequente efeito antimicrobiano dos \u00e1cidos graxos (<strong>AG<\/strong>) no r\u00famen. A maioria dos SCAG dispon\u00edveis no mercado normalmente apresentam altas concentra\u00e7\u00f5es de AG de cadeia longa que s\u00e3o advindos principalmente de fontes vegetais, podendo apresentar cadeia saturada ou insaturada. Nessas fontes, os AG mais observados incluem o \u00e1cido palm\u00edtico (<strong>C16:0<\/strong>), este\u00e1rico (<strong>C18:0<\/strong>), oleico (<strong>C18:1<\/strong>) e linoleico (<strong>C18:2<em>n-6<\/em><\/strong>) (Loften et al., 2014).<\/p>\n<p>As vantagens da utiliza\u00e7\u00e3o dos SCAG na dieta de vacas leiteiras s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li><u>Efeito <em>bypass<\/em> pelo r\u00famen<\/u>: Os lip\u00eddios protegidos escapam do processo de fermenta\u00e7\u00e3o ruminal. Para os AG monoinsaturados (C18:1) e poli-insaturados (C18:2<em>n-6<\/em>) a prote\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais importante, pois se tornam mais suscept\u00edveis ao processo de biohidrogena\u00e7\u00e3o ruminal atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o de algumas bact\u00e9rias (<em>Butyrivibrio fibrosolvens <\/em>e <em>Anaerovibrio lipolytica<\/em>).<\/li>\n<li><u>Maior fornecimento de AG ao duodeno<\/u>: Os lip\u00eddios seguem diretamente para o duodeno, onde ficam dispon\u00edveis para absor\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o no metabolismo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sendo assim, quando os SCAG s\u00e3o inclu\u00eddos na dieta, eles n\u00e3o servem somente como uma fonte de energia, mas podem tamb\u00e9m atuar no metabolismo dos ruminantes e contribuir para fun\u00e7\u00f5es produtivas e reprodutivas, demonstrando a sua fun\u00e7\u00e3o nutrac\u00eautica (Williams &amp; Stanko, 2000). Com base nisso, o objetivo desse artigo \u00e9 apresentar os efeitos positivos da suplementa\u00e7\u00e3o de diferentes AG no metabolismo e sa\u00fade de vacas leiteiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><u>DADOS EM BOVINOS LEITEIROS<\/u><\/strong><\/p>\n<p><strong><u>\u00a0<\/u><\/strong><\/p>\n<p>Rabiee et al. (2012) conduziram uma meta-an\u00e1lise e meta-regress\u00e3o para avaliar os efeitos da suplementa\u00e7\u00e3o de diferentes fontes de gordura na produ\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o do leite em vacas leiteiras. Para o estudo ser inclu\u00eddo na an\u00e1lise, alguns crit\u00e9rios foram utilizados:<\/p>\n<ul>\n<li>Artigos publicados em peri\u00f3dicos revisados, depois de 1980.<\/li>\n<li>Desenho experimental em per\u00edodos (<em>crossover <\/em>ou quadrado latino) foi exclu\u00eddo da an\u00e1lise.<\/li>\n<li>Somente vacas em lacta\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Compara\u00e7\u00e3o entre um grupo n\u00e3o suplementado com alguma fonte lip\u00eddica.<\/li>\n<li>Cinco fontes lip\u00eddicas foram inclu\u00eddas: sebo, sais de c\u00e1lcio da gordura da palma, sementes oleaginosas (sementes inteiras de algod\u00e3o e produtos de soja e, em um caso, com \u00f3leo livre), gordura peliculada e outros sais de c\u00e1lcio.<\/li>\n<li>N\u00e3o tivesse a suplementa\u00e7\u00e3o com fonte lip\u00eddica marinha.<\/li>\n<li>Apresentasse an\u00e1lise estat\u00edstica.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O conjunto final de dados analisados na revis\u00e3o de Rabiee et al. (2012) abrangeu 38 estudos, resultando em 86 compara\u00e7\u00f5es. Vale salientar que essa revis\u00e3o n\u00e3o colocou um limite da inclus\u00e3o do suplemento lip\u00eddico, que muitas vezes, pode n\u00e3o representar a realidade da nutri\u00e7\u00e3o das fazendas leiteiras. No entanto, a inclus\u00e3o de suplementos lip\u00eddicos apresentou aumento na produ\u00e7\u00e3o de leite (1,05 kg\/vaca dia), assim como na porcentagem e teor de gordura do leite. Em contrapartida, a suplementa\u00e7\u00e3o lip\u00eddica diminuiu o consumo de mat\u00e9ria seca (<strong>CMS<\/strong>), resultando, assim, em uma melhor efici\u00eancia para produ\u00e7\u00e3o de leite.<\/p>\n<p>Em geral, a maioria dos experimentos com suplementa\u00e7\u00e3o lip\u00eddica na dieta de vacas leiteiras sugere um efeito positivo na produ\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o do leite. De acordo com Palmquist (1994), isso ocorre pelo aumento do consumo total de energia, gera\u00e7\u00e3o mais eficiente de ATP vs. \u00e1cidos graxos vol\u00e1teis (<strong>AGV<\/strong>) e pela incorpora\u00e7\u00e3o de AG de cadeia longa na gordura do leite. Al\u00e9m disso, um mecanismo proposto para o aumento na produ\u00e7\u00e3o de leite pela suplementa\u00e7\u00e3o com SCAG \u00e9 a \u201c<em>poupan\u00e7a de glicose<\/em>\u201d na gl\u00e2ndula mam\u00e1ria, por exemplo. Essa glicose que n\u00e3o \u00e9 utilizada para a produ\u00e7\u00e3o de gordura do leite acaba sendo direcionada para outros processos, tais como a s\u00edntese de lactose e produ\u00e7\u00e3o de leite (Palmquist &amp; Jenkins, 1980).<\/p>\n<p>Os suplementos lip\u00eddicos encontrados no mercado apresentam diferentes perfis e porcentagens de AG em sua composi\u00e7\u00e3o, resultando em respostas produtivas e metab\u00f3licas distintas em vacas leiteiras. Em um estudo recente, de Souza et al. (2018) avaliaram os efeitos da altera\u00e7\u00e3o na propor\u00e7\u00e3o de AG de cadeia longa utilizando diferentes suplementos lip\u00eddicos vs. uma dieta controle. Em resumo, os efeitos observados de cada AG foram:<\/p>\n<ul>\n<li><em>\u00c1cido palm\u00edtico (C16:0):<\/em> aumento na produ\u00e7\u00e3o de leite e gordura do leite.<\/li>\n<li><em>\u00c1cido este\u00e1rico (C18:0):<\/em> aumento no CMS e na produ\u00e7\u00e3o de leite.<\/li>\n<li><em>\u00c1cido oleico (C18:1):<\/em> reposi\u00e7\u00e3o de gorduras corporais, resultando em uma manten\u00e7a e\/ou recupera\u00e7\u00e3o mais acelerada do escore de condi\u00e7\u00e3o corporal (<strong>ECC<\/strong>).<\/li>\n<li><em>\u00c1cido linoleico (C18:2n-6):<\/em> processo inflamat\u00f3rio, imunidade e desenvolvimento embrion\u00e1rio. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma inibi\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de leite, s\u00edntese da gordura do leite e CMS, associado ao processo de BH e forma\u00e7\u00e3o de intermedi\u00e1rios no r\u00famen.<\/li>\n<li><em>\u00c1cido linol\u00eanico (C18:3n-3)<\/em>: processo inflamat\u00f3rio, imunidade e sobreviv\u00eancia embrion\u00e1ria.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><u>\u00c1cidos graxos saturados<\/u><\/strong><\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de suplementos a base de AG saturados (<strong>AGS<\/strong>) vem mostrando resultados positivos em bovinos leiteiros. Os mais utilizados s\u00e3o o C16:0 e C18:0, advindos principalmente da palma e gorduras vegetais, respectivamente. Em uma revis\u00e3o de literatura, Loften et al. (2014) descreveram a a\u00e7\u00e3o do C16:0 e C18:0 no metabolismo de vacas leiteiras e demonstraram que, apesar de suas fun\u00e7\u00f5es serem espec\u00edficas, eles ainda possuem pap\u00e9is complementares no metabolismo.<\/p>\n<p>O percentual de absor\u00e7\u00e3o desses AG no duodeno \u00e9 a mesma, entretanto a concentra\u00e7\u00e3o nos tecidos pode ser diferente (Loften et al., 2014). Douglas et al. (2007) reportaram o perfil de AG no tecido adiposo, hep\u00e1tico e plasma sangu\u00edneo, e observaram que o C16:0 \u00e9 mais abundante quando comparado com o C18:0. Entretanto, durante o per\u00edodo de balan\u00e7o energ\u00e9tico negativo (<strong>BEN<\/strong>), o C18:0 n\u00e3o acumula no f\u00edgado, mostrando que, possivelmente, seja utilizado para oxida\u00e7\u00e3o ou secretado no leite. Em resumo, a revis\u00e3o demonstra que a suplementa\u00e7\u00e3o combinada de C16:0 e C18:0 pode otimizar a produ\u00e7\u00e3o de leite e a performance das vacas. Sendo assim, a utiliza\u00e7\u00e3o de suplementos que contenham ambos os AG pode ser ben\u00e9fica para os animais.<\/p>\n<p>O efeito isolado dos AGS tamb\u00e9m foi reportado na literatura. Mosley et al. (2007) suplementaram diferentes n\u00edveis (0, 500, 1.000, e 1.500 g\/d) de \u00e1cido palm\u00edtico (87%; C16:0) para vacas leiteiras no per\u00edodo de lacta\u00e7\u00e3o. A suplementa\u00e7\u00e3o de 500 g\/d promoveu um aumento no CMS, produ\u00e7\u00e3o de leite, gordura e prote\u00edna, e porcentagem de gordura no leite. Lock et al. (2013) e Piantoni et al. (2013) suplementaram \u00e1cido palm\u00edtico (86%; C16:0) na propor\u00e7\u00e3o de 2% da mat\u00e9ria seca (<strong>MS<\/strong>) e observaram um aumento na produ\u00e7\u00e3o de leite e gordura, com pouco ou nenhum efeito na s\u00edntese <em>\u2018de novo\u2019<\/em> de \u00e1cidos graxos no leite.<\/p>\n<p>No metabolismo, de Souza et al. (2019) reportaram o efeito do C16:0 em vacas leiteiras durante o p\u00f3s-parto imediato at\u00e9 o pico de produ\u00e7\u00e3o de leite. Os tratamentos foram divididos em p\u00f3s-parto imediato (<strong>PPI<\/strong>; 1-24 dias), contendo uma dieta controle (<strong>CON<\/strong>) ou suplemento de C16:0 (<strong>PLM<\/strong>; 1,5% da MS). No pico de produ\u00e7\u00e3o de leite (<strong>PPL<\/strong>; 25-67 dias), os animais foram divididos em 4 grupos: vacas que receberam CON no PPI e PPL (<strong>CON-CON<\/strong>); vacas que receberam CON no PPI e trocaram para PLM no PPL (<strong>CON-PLM<\/strong>); vacas que receberam PLM no PPI e trocaram para CON no PPL (<strong>PLM-CON<\/strong>); vacas que receberam PLM no PPI e PPL (<strong>PLM-PLM<\/strong>). Amostras de sangue foram coletadas nos dias 5, 12, 19, 33, 47 e 61 p\u00f3s-parto para determina\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros sangu\u00edneos relacionados ao metabolismo energ\u00e9tico, mineral e end\u00f3crino. Nesse estudo, os autores observaram um aumento nos \u00e1cidos graxos n\u00e3o esterificados (<strong>AGNE<\/strong>) de animais suplementados com C16:0 no PPI, mas esse efeito est\u00e1 associado a maior perda de ECC e peso vivo (<strong>PV<\/strong>) (de Souza e Lock, 2018) nessa fase. Al\u00e9m disso, a suplementa\u00e7\u00e3o com PLM causou uma queda na concentra\u00e7\u00e3o de insulina em ambos os per\u00edodos, fato este podendo estar associado a um melhor direcionamento de energia para o leite ao inv\u00e9s das reservas corporais, promovendo assim efeitos na secre\u00e7\u00e3o de insulina ou na sensibilidade dos tecidos \u00e0 insulina.<\/p>\n<p>A suplementa\u00e7\u00e3o de \u00e1cido este\u00e1rico foi reportada por Piantoni et al. (2015) e Boerman et al. (2016). A adi\u00e7\u00e3o de \u00e1cido este\u00e1rico (98%; C18:0) no n\u00edvel de 2% da MS aumentou o CMS, produ\u00e7\u00e3o de leite e componentes do leite, sem afetar a efici\u00eancia alimentar, ECC e PV (Piantoni et al., 2015). Em outro estudo, a suplementa\u00e7\u00e3o com \u00e1cido este\u00e1rico (93%; C18:0) em diferentes n\u00edveis da MS da dieta (0, 0,80, 1,50, ou 2,30% MS) resultou em um aumento linear no CMS, sem efeitos na produ\u00e7\u00e3o e\/ou composi\u00e7\u00e3o do leite. Al\u00e9m disso, o aumento nos n\u00edveis de suplementa\u00e7\u00e3o resultou em um modesto aumento dos AG C18:0 e C18:1<em> cis<\/em>-9 na gordura do leite, n\u00e3o sendo suficiente para afetar o teor de gordura do leite (Boerman et al., 2016).<\/p>\n<p>Yanting et al. (2019) reportaram a diferen\u00e7a do efeito entre C18:0 e C18:1 <em>cis<\/em>-9 em uma dieta contendo baixo ou alto n\u00edvel de AG no in\u00edcio da lacta\u00e7\u00e3o. Par\u00e2metros metab\u00f3licos foram analisados e o sangue foi coletado no p\u00f3s-parto, nas semanas 4, 6, 8, 10 e 12. Esses autores observaram que a suplementa\u00e7\u00e3o com baixo n\u00edvel de C18:0 promoveu um aumento nas concentra\u00e7\u00f5es circulantes de beta-hidr\u00f3xido butirato (<strong>BHB<\/strong>), sugerindo que a suplementa\u00e7\u00e3o com C18:0 tenha efeito no metabolismo lip\u00eddico e possa sintetizar mais BHB atrav\u00e9s de rotas metab\u00f3licas alternativas.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o dos dois AGS foi avaliada por Western et al. (2020). Eles avaliaram os efeitos de uma (1) dieta controle, (2) dieta com adi\u00e7\u00e3o de C16:0 e (3) dieta com adi\u00e7\u00e3o de C16:0 e C18:0. O suplemento foi adicionado a uma taxa de 1,5% da MS. A produ\u00e7\u00e3o de leite aumentou nos animais suplementados com gordura, enquanto o suplemento a base de C16:0 apresentou efeitos positivos na produ\u00e7\u00e3o de leite corrigida (<strong>ECM<\/strong>) e teor de gordura no leite. Em contrapartida, n\u00e3o foram observados efeitos positivos da suplementa\u00e7\u00e3o com AG e\/ou do perfil de AG no CMS e PV dos animais. De acordo com esses resultados, os autores conclu\u00edram que animais produzindo em torno de 45 kg de leite respondem melhor a uma suplementa\u00e7\u00e3o de C16:0 do que a uma combina\u00e7\u00e3o de C16:0 e C18:0. Nos par\u00e2metros sangu\u00edneos, a suplementa\u00e7\u00e3o com gordura n\u00e3o teve efeito na insulina e BHB, mas aumentou a concentra\u00e7\u00e3o de AGNE vs. a dieta controle.<\/p>\n<p><strong><u>\u00c1cidos graxos insaturados <\/u><\/strong><\/p>\n<p>A suplementa\u00e7\u00e3o de AG monoinsaturados (C18:1) e poli-insaturados (C18:2<em>n-6<\/em>) para bovinos leiteiros deve ser feita com muita cautela e acompanhada pelo nutricionista da fazenda, pois pode promover diminui\u00e7\u00e3o da gordura do leite. De acordo com Bauman &amp; Griinari (2001), a depress\u00e3o na gordura do leite \u00e9 um conceito cl\u00e1ssico e comumente observado em cen\u00e1rios onde suplementos lip\u00eddicos vegetais e\/ou marinhos s\u00e3o oferecidos ao rebanho. A explica\u00e7\u00e3o para isso \u00e9 que esses AGs sofrem o processo de biohidrogena\u00e7\u00e3o ruminal. Em condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, compostos intermedi\u00e1rios, denominados \u00e1cidos linoleicos conjugados (<strong>CLA<\/strong>; <em>trans-10<\/em>, <em>cis-12<\/em> CLA), que modificam o funcionamento e a s\u00edntese de gordura na gl\u00e2ndula mam\u00e1ria, atrav\u00e9s da altera\u00e7\u00e3o na express\u00e3o de genes relacionados ao metabolismo lip\u00eddico (Bauman et al., 2011).<\/p>\n<p>Estudos observaram que a suplementa\u00e7\u00e3o de SCAG de <em>trans-10, cis-12<\/em> CLA, promoveu uma consistente redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de gordura do leite vacas de leite sob diferentes est\u00e1gios de lacta\u00e7\u00e3o (Bauman et al., 2011). Al\u00e9m disso, um estudo recente indicou que a suplementa\u00e7\u00e3o de SCAG de CLA (15 g\/kg MS) reduziu o teor de gordura no leite, acompanhada pela diminui\u00e7\u00e3o no di\u00e2metro dos gl\u00f3bulos de gordura no leite (Xing et al., 2020). Isso porque na gl\u00e2ndula mam\u00e1ria, a gordura do leite \u00e9 secretada na forma de gl\u00f3bulos, sendo estruturas \u00fanicas compostas principalmente de triglicer\u00eddeos envoltas sobre uma membrana lip\u00eddica. Alguns estudos avaliaram o efeito dos AG poliinsaturados em aspectos produtivos de vacas leiteiras. Macedo et al. (2016) demonstraram que a suplementa\u00e7\u00e3o de SCAG (250 g\/dia) combinado com um n\u00edvel baixo de concentrado (3 kg\/dia) resultou em um aumento na produ\u00e7\u00e3o de leite e n\u00e3o apresentou um efeito nos teores de s\u00f3lidos e gordura no leite. Em contrapartida, de Souza et al. (2017) avaliaram o efeito da inclus\u00e3o de SCAG de \u00f3leo de soja (4,9% MS) nos par\u00e2metros produtivos de bovinos leiteiros a pasto. Os animais receberam o tratamento durante as semanas 3 e 16 p\u00f3s-parto, sendo que o efeito <em>carryover<\/em> foi avaliado durante toda a lacta\u00e7\u00e3o. O suplemento a base de SCAG de soja resultou em uma queda no teor de gordura e CMS, mas promoveu uma baixa mobiliza\u00e7\u00e3o das reservas corporais e pouca varia\u00e7\u00e3o no PV e ECC dos animais durante toda a lacta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com a revis\u00e3o de Palmquist &amp; Jenkins (2017), alguns estudos t\u00eam mostrado efeitos da utiliza\u00e7\u00e3o de gordura poliinsaturada no metabolismo dos animais. A infus\u00e3o abomasal de C18:2 <em>n-6<\/em> e C18:3 <em>n-3<\/em> afetou a bioss\u00edntese de oxilip\u00eddios no tecido mam\u00e1rio e a severidade de mastite em vacas leiteiras (Ryman et al., 2017). Os oxilip\u00eddios s\u00e3o mol\u00e9culas lip\u00eddicas mediadoras que auxiliam na regula\u00e7\u00e3o da resposta inflamat\u00f3ria. Os principais precursores dos oxilip\u00eddios s\u00e3o os AG poliinsaturados, sendo que sua s\u00edntese depende da disponibilidade dos AG e das enzimas envolvidas nas rotas metab\u00f3licas. A literatura atual suporta o conceito de que a suplementa\u00e7\u00e3o com dietas que contenham AG poliinsaturados pode afetar a bioss\u00edntese e alterar a capacidade funcional dessas c\u00e9lulas envolvidas na resposta inflamat\u00f3ria (Sordillo, 2018).<\/p>\n<p>Estudos <em>in vitro<\/em> reportaram os efeitos dos AG em c\u00e9lulas epiteliais bovinas da gl\u00e2ndula mam\u00e1ria e conclu\u00edram que a suplementa\u00e7\u00e3o com CLA e AGE afetou a resposta celular contra o estresse oxidativo (Basiric\u00f2 et al., 2017). Outro estudo <em>in vitro<\/em> demonstrou que a suplementa\u00e7\u00e3o com AG reduziu a express\u00e3o de citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias e anti-inflamat\u00f3rias (Dipasquale et al., 2018). Em vacas leiteiras, a altera\u00e7\u00e3o na propor\u00e7\u00e3o de C18:2 <em>n-6<\/em> e C18:3 <em>n-3<\/em> afetou a fun\u00e7\u00e3o imune e a resposta inflamat\u00f3ria durante o desafio com lipopolissacar\u00eddeo (Greco et al., 2015).<\/p>\n<p><strong><u>CONCLUS\u00c3O<\/u><\/strong><\/p>\n<p>Os suplementos energ\u00e9ticos possuem um perfil diferente de AG que podem atuar de diversas maneiras no metabolismo dos animais, aumentando a efici\u00eancia produtiva dos animais, com respostas em produ\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o de leite e CMS, por exemplo. \u00c9 de suma import\u00e2ncia uma avalia\u00e7\u00e3o detalhada do suplemento, da dieta e da categoria animal para considerar a adi\u00e7\u00e3o de uma fonte lip\u00eddica na dieta dos animais. Al\u00e9m disso, n\u00f3s como t\u00e9cnicos, devemos considerar o objetivo do produtor e quais os resultados esperados da adi\u00e7\u00e3o de um suplemento lip\u00eddico.<\/p>\n<p>No momento atual, com o pre\u00e7o alto dos insumos (milho, soja, caro\u00e7o de algod\u00e3o), a suplementa\u00e7\u00e3o com SCAG torna-se uma alternativa vi\u00e1vel para minimizar os custos dentro do sistema produtivo, al\u00e9m de promover muitos resultados positivos para o rebanho.<\/p>\n<p><strong><u>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/u><\/strong><\/p>\n<p>Basiric\u00f2, L., P. Morera, D. Dipasquale, A. Tr\u00f6scher, and U. Bernabucci. 2017. Comparison between conjugated linoleic acid and essential fatty acids in preventing oxidative stress in bovine mammary epithelial cells. J. Dairy Sci. 100:2299\u20132309.<\/p>\n<p>Bauman, D. E., and J. M. Griinari. 2001. Regulation and nutritional manipulation of milk fat: Low-fat milk syndrome. Livest. Prod. Sci. 70:15-29.<\/p>\n<p>Bauman, D. E., and J. M. 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